Plano tem como pilares ataque às finanças das facções, retomada do controle dos presídios, proteção de territórios sob domínio armado e corte no fluxo de fuzis
A candidata a governadora Juliana Brizola e o candidato a vice-governador Edegar Pretto lançaram hoje (2), em Porto Alegre, o programa RS Contra o Crime Organizado, plano de segurança pública voltado ao enfrentamento das facções criminosas no Rio Grande do Sul.
O programa parte de um diagnóstico direto: as facções deixaram de ser quadrilhas de tráfico e se transformaram em corporações do crime, impondo toque de recolher a comunidades, extorquindo comerciantes e aliciando jovens. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Rio Grande do Sul é hoje o terceiro Estado do país em apreensão de fuzis e reúne ao menos 15 facções locais ativas, a maior concentração do Brasil.
O programa prevê a criação da Estratégia Estadual de Enfrentamento às Facções, que vai reunir todos os poderes e instituições de segurança e justiça do Estado e da União em uma política de Estado, organizada em quatro pilares:
– Atacar as finanças — quebrar o poder econômico das facções, com rastreamento de criptoativos, combate à lavagem de dinheiro e confisco de bens.
– Retomar as prisões — impedir que as unidades prisionais sigam funcionando como escritórios do crime e estruturar a reintegração efetiva dos egressos.
– Proteger territórios — atuar sobre as organizações que impõem medo às comunidades e recrutam jovens, com inteligência e prevenção baseada em evidências.
– Cortar o fluxo de fuzis — estancar a entrada desse tipo de arma no estado, hoje o terceiro colocado do país em apreensões.
As medidas anunciadas incluem a criação do Centro Integrado de Inteligência de Combate ao Crime Organizado, reunindo Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Receita Estadual e forças de países vizinhos; a Muralha Digital dos Presídios, com bloqueio de sinal de celular e escudo antidrones nas unidades estratégicas; o Banco Estadual de Organizações Criminosas, que fará do Rio Grande do Sul o primeiro estado do país a aplicar esse instrumento da nova Lei Antifacção; e o rastreamento obrigatório de 100% das armas apreendidas no estado, com relatório público anual sobre a origem do armamento.
A elaboração do plano foi coordenada por Alberto Kopittke, diretor executivo do Instituto Cidade Segura e uma das principais referências brasileiras em políticas de segurança baseadas em evidências. Kopittke atua desde 2018 na construção da estratégia implementada em Niterói (RJ), município que, no período, reduziu as mortes violentas em quase 70% e os roubos em mais de 80%. A escolha reflete o modelo que a coligação Com o Povo vai adotar no Rio Grande do Sul: política de segurança planejada com rigor, orientada por dados e construída a partir da integração entre as forças policiais, da prevenção social, da atuação nos territórios mais vulneráveis e da participação das comunidades.
“Defendemos uma política baseada em evidências, que seja capaz de apresentar resultados concretos. Vamos enfrentar a violência com inteligência, integração e avaliação permanente, protegendo quem mais precisa”, defende Juliana Brizola.
“Nós precisamos do presidente Lula reeleito. Porque o combate ao crime organizado exige um Governo Federal forte, integração entre as forças e defesa da soberania brasileira. O bolsonarismo prefere subordinação e espetáculo. Nós defendemos cooperação internacional, mas quem cuida da segurança do Brasil são as instituições brasileiras”, destacou Edegar Pretto.
RS Mulher Segura
O programa apresentado hoje soma-se ao RS Mulher Segura, conjunto de propostas apresentadas para transformar o enfrentamento à violência contra as mulheres em prioridade permanente do Estado. O programa parte de uma mudança de lógica: agir antes que a violência termine em feminicídio, integrando Segurança Pública, Saúde e Assistência Social em um sistema permanente de prevenção, proteção e acompanhamento das mulheres em situação de violência.

